NELSON MELO

Revoltados com o assassinato de Isaac Silva Nascimento, de 15 anos – ocorrido na noite de sexta-feira (3), no bairro Pedrinhas (zona rural de São Luís), quando o garoto seguia, na “garupa” de uma moto, para uma igreja evangélica –, moradores da Vila Maranhão bloquearam um acesso da BR-135, na manhã de ontem (6) por quase 7 horas (das 5h às 11h45). Os populares atearam fogo em pneus e galhos de árvores, interditando os dois sentidos da rodovia e impedindo o tráfego de veículos. Uma longa fila de veículos se formou ao longo da BR, nos dois sentidos, atrapalhando a rotina, sobretudo de quem seguia para o Anjo da Guarda.

O bloqueio ocorreu na entrada do Cajueiro, em frente à empresa Lucena Infraestrutura Ltda. Uma grande nuvem de fumaça se alastrava pelo ar, sendo que os manifestantes arremessavam mais pneus nas chamas a cada momento. Policiais do 21º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanharam o protesto, assim como uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar (BPM).

Bloqueio da BR-135, motivado pela morte de Isaac Nascimento (detalhe), causou um extenso congestionamento|G. FerreiraBloqueio da BR-135, motivado pela morte de Isaac Nascimento (detalhe), causou um extenso congestionamento|G. Ferreira

Moradora há 28 anos da Vila Maranhão, Francisca Santos, 55, disse que conhecia o jovem Isaac desde quando ele era criança, descrevendo-o como um rapaz educado, tranquilo e dedicado. Em suas palavras, Isaac era um “rapaz do bem”.

Irmão da vítima, Ericlelton da Silva Costa, 20 anos, que também participou da manifestação de ontem, comentou que Isaac era nascido e criado na comunidade, sendo membro da Congregação Cristã do Brasil, situada em Pedrinhas.

De acordo com Ericlelton, o evangélico era apaixonado pela música, tocando violino com muita habilidade, com pretensões de seguir esta carreira. No momento em que foi morto, inclusive, levava consigo o instrumento, com destino à igreja, onde iria se apresentar no culto.

O irmão informou ainda que Isaac estudava no Ensino Médio e que a vítima morava no Conjunto Jatobá, área da Vila Maranhão, com ele e a avó materna, a aposentada Maria de Jesus Froes, conhecida entre amigos e familiares como “Branca”, uma vez que seus pais são divorciados.

Ericlelton da Silva e os demais gritavam no local que o protesto só terminaria com a presença do secretário de Segurança Pública, delegado Jefferson Portela, que, no momento do bloqueio, participava de uma cerimônia de passagem de comando, no 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), no Outeiro da Cruz. Portela chegou ao local perto das 11h30, conversando com lideranças comunitárias em uma escola da região. O diálogo foi presenciado pela PRF e guarnições da PM. Sendo assim, desbloquearam a BR, e o CBM apagou o fogo.

ASSASSINATO DE ISAAC

Isaac foi assassinado por volta das 19h30 de sexta-feira. Ele ocupava a “garupa” de uma moto, que era pilotada por um amigo da igreja, cujo primeiro nome é João. A abordagem dos criminosos (dois, segundo apurado pela polícia), ocorreu perto de um viaduto que dá acesso ao bairro de Pedrinhas. Os bandidos saíram de um matagal e se aproveitaram da falta de iluminação pública do local. Segundo o apurado pela polícia, o piloto da moto tentou escapar, ao que um dos suspeitos disparou na direção de ambos, alvejando Isaac nas costas.

O rapaz atingido caiu morto na pista, junto com seu violino, que ele levava para tocar na congregação. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP/MA), em seu portal, anotou o crime como latrocínio (roubo que resulta em morte), embora, preliminarmente, nada tenha sido subtraído da vítima. Isaac Nascimento foi velado na casa em que morava, na Rua da Mangueira (Vila Maranhão). O sepultamento aconteceu no cemitério do bairro, no fim da tarde de sábado (4).

Após incursões na comunidade de Pedrinhas e bairros adjacentes, o 21º BPM conseguiu apreender um adolescente de 17 anos e um adulto de nome Guilherme. O adolescente é suspeito de ter atirado no rapaz e também de estar envolvido na tentativa de assalto, também na BR-135, que resultou no assassinato da professora e dançarina de tambor de crioula Ana Lúcia Duarte Silva, de 51, no fim de março passado.