Desenvolvimento

AQUILES EMIR

O Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão, que é a soma de todas as riquezas produzidas no estado, referente ao exercício de 2015, deverá sofrer uma queda de cerca de 3,7%. A estimativa foi apresentada pelo economista Felipe de Holanda, presidente do Instituto Maranhense de Estudos Econômicos e Cartográficos (Imesc), que nesta terça-feira (31 de maio), proferiu palestra na Associação Comercial do Maranhão, em evento voltado para a comemoração dos oitenta anos de fundação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com base no último levantamento, que fixou em R$ 67,5 bilhões o PIB do estado (dados de 2013), o cálculo prevê uma diminuição acima de R$ 3,8 bilhões, já que deve ficar em torno de R$ 63,8 bilhões.

Para o economista, alguns fatores contribuíram para esta retração, dentre eles a queda na produção de ferro-gusa, de alumínio (pelo Consórcio Alumar), de gás natural, da construção civil etc. Ele acredita que este ano também haverá uma queda do PIB, por conta principalmente da produção agrícola, que, pelas projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do IBGE, deve sofrer uma redução em torno de 27% na colheita de grãos.

Setor mineral deve ser um dos que irão impactar negativamente o PIB do estadoSetor mineral deve ser um dos que irão impactar negativamente o PIB do estado

Felipe de Holanda ressalta que o país enfrenta uma crise econômica desde 2014, portanto um cenário de recuperação deve ocorrer somente a partir do próximo ano. O Maranhão não poderia estar fora desse contexto, apesar de todos os esforços do governo do estado para dinamizar a economia local.

Estatística

Em sua palestra, o presidente do Imesc elogiou o trabalho desenvolvido pelo IBGE, que ele considera de fundamental importância para que se tenha noção de como se desenvolve a economia do país, dos estados e dos municípios, bem como questões sociais.

De acordo com o palestrante, nem sempre os dados estatísticos agradam os governantes, porém é preciso que se leve em conta o que elas revelam, até como meio de corrigir distorções e encarar a realidade tal como ela é. Ele citou um exemplo de 2011 quando foram divulgados os números do PIB local e isto causou desconforto no governo de então, porque os números referiam-se a 2009, quando houve o ponto mais alto da crise mundial, provocando reflexo nas exportações maranhenses, porém quando eles foram apresentados a situação já era bem diferente.

Indagado sobre os números de 2015, ele fez questão de ressaltar que eles irão aparecer provavelmente em 2017, já que as divulgações sempre são feitas com dois anos de retardo, devido à complexidade para tabulação de todos os dados.

Durante toda à tarde de terça-feira o IBGE realizou debates sobre a importância do seu trabalho, com depoimentos de economistas, professores universitários, jornalistas etc, que testemunharam ter nos dados do órgão importante ferramenta para desempenho de suas funções. O diretor do instituto no estado, Marcelo Virgínio Melo, observou que sempre que uma estatística do IBGE incomodar, as autoridades em vez de contestá-la devem procurar os meios para melhorar esses indicadores.