MANOEL SANTOS NETO

PAGINA 1-00000001Fundado em São Luís pelo jornalista José Ribamar Bogéa (1921-1996), o Jornal Pequeno nasceu num momento em que todos os órgãos de imprensa do Estado, de uma forma ou de outra, achavam-se vinculados a grupos, facções ou partidos políticos. Além de farto noticiário político, o jornal trazia ampla cobertura dos acontecimentos esportivos, policiais, sociais e econômicos. Na época, não havia telex nem serviços de radiofotos ou telefotos. As notícias internacionais e de outros Estados da Federação chegavam precariamente, através de escutas radiofônicas ou por cabogramas.

As fotos eram produzidas na clicheria do jornal, anunciada como a melhor da região. O Maranhão nem sequer sonhava com a televisão e muito menos com o que viria algum tempo depois: o mundo mágico da informática, da internet e da tecnologia digital.

Era uma época em que São Luís ainda era uma cidade minúscula e em que circulavam no Maranhão apenas os jornais “O Combate”, “Jornal do Povo”, “Tribuna”, dos partidos de oposição; o matutino “O Imparcial” e o vespertino “O Globo”, do grupo “Diários Associados”; e o “Diário de São Luís” e o “Diário Popular”, de roupagem abertamente governista, comandados pelo grupo do então senador Vitorino Freire (1908-1977).

Ainda em seus primórdios, o Jornal Pequeno fez história e muito do que se conta de seus primeiros anos ficou para trás. A velha engenhoca das linotipos perdeu terreno e foi varrida das oficinas. Vieram as impressoras off-set e os computadores passaram a transformar as laudas originais em texto final. Com isso, os antigos prelos foram aposentados, na companhia dos anacrônicos mecanismos que, durante muitos anos, serviram para a edição do jornal.

Estudiosos da história recente da imprensa do Maranhão mostram que o JP surgiu na condição de único órgão de comunicação conceitualmente apartidário, fora de todas as propostas e propósitos políticos vigentes. Colunas como “O Mundo em Poucas Palavras”, “Defendendo o Nosso Povo”, “Coisas que Acontecem”, “Língua de Trapo”, “No Cafezinho”, “Dicionário do Povo”, criaram uma nova linguagem jornalística, inusitada mesmo para aqueles tempos. De tamanho restrito e feição gráfica modestíssima, o JP, que agora completa 65 anos de existência, ganhou espaço dos “grandes” jornais e tornou-se o mais popular diário dos anos 50 do século XX.

Grafado nas caixas de tipo e praticamente feito à mão, o JP evoluiu desde a linotipo e chegou à era da informática, dando a largada no rumo de novas fronteiras, perseguindo a trilha da renovação e buscando – num esforço permanente – o aprimoramento de seu noticiário e de sua linha editorial.

Para fazer frente ao repertório dos novos desafios, o JP se moderniza a cada dia, muda sua roupagem e recicla seus quadros, porém sem abrir mão dos princípios que o norteiam, desde o primeiro dia em que este jornal saiu à luz.

O sentido de liberdade ainda é o mesmo, a isenção diante dos fatos e da notícia se mantém intacta. Ainda representa o JP, a trincheira dos anseios e da vontade popular. Com novos talentos, acrescidos ao patrimônio técnico e intelectual que dispunha, o JP se lança a novas jornadas. As sementes – aqui lançadas por um sonhador, o saudoso Zé Pequeno – germinaram e deram um novo figurino à imprensa do Maranhão.

Agora, ao completar mais um aniversário, este jornal redireciona sua trajetória, e põe em marcha a transformação que pretende conferir agilidade e melhoria ao seu noticiário, para que o velho JP esteja, cada vez mais remoçado, e mais perto do leitor.

Com isto, renovam-se os compromissos nascidos há 65 anos e as mudanças, aqui incorporadas, demonstram a vitalidade do ideal de seu fundador.

O jornal que veio do chumbo

O adeus às velhas linotipos, que agora são relíquias de um tempo esgotado

Quando apareceu nas bancas, no mês de maio de 1951, o Jornal Pequeno era um periódico acanhado, feito de forma quase artesanal. O papel era medíocre e a composição era executada por reumáticas linotipos, hoje guardadas num canto da oficina, como relíquias de tempos esgotados. A redação continua funcionando no velho prédio da Rua Afonso Pena, no Centro Histórico de São Luís, mas, de lá para cá, muita  coisa mudou. Uma sucessão de mudanças foram alterando, radicalmente, o perfil do jornal.

O Jornal Pequeno nasceu numa época em que as linotipos, com chumbo quente, confeccionavam as manchetes do dia seguinte. O noticiário produzido na redação não ia direto ao assunto, num estilo prolixo e rebuscado. Não havia telex nem serviços de radiofotos ou telefotos. O processo artesanal de feitura das edições, com as técnicas de então, permitia que os cronistas se dedicassem à imprensa sem a correria dos dias de hoje e até mesmo despreocupados com o salário que receberiam ao fim do mês. Aliás, havia muitos colaboradores gratuitos, que foram desaparecendo, após restrições impostas pelas legislações sobre a imprensa.

Na oficina, que começou a funcionar num quarto de pensão alugado na Rua Afonso Pena, imprimiam-se os exemplares pelo antigo sistema de impressão a quente com placas de chumbo. As páginas continham um variado noticiário, geral e esportivo, mesclado com o humorismo, onde se encontravam seções como Dicionário do Povo, Língua de Trapo e Conversa no Cafezinho.  Ao completar 60 anos de idade, no dia 18 de setembro de 1981, José Ribamar Bogéa entregou a direção do Jornal Pequeno ao filho Lourival Marques Bogéa, numa cerimônia realizada no Restaurante Solar do Ribeirão.

Com esta mudança no comando do jornal, o JP lançou as bases para um grande salto e experimentou sua primeira reforma gráfica e editorial. As oficinas ganharam máquinas impressoras off-set e um sistema de fotocomposição. À sombra das inovações, as antigas linotipos tornaram-se um anacronismo, condenado aos porões. E as paixões que freqüentavam a velha Redação cederam lugar à precisão, à objetividade, ao texto conciso e enxuto.

Reformulado para materializar o ideal de José Ribamar Bogéa, o Jornal Pequeno rasga fronteiras e amplia horizontes, no propósito de criar laços mais fortes com o leitor. Em sua trajetória rumo ao futuro, o jornal, de cara nova, incorporou tecnologias e adotou inovações que, pouco a pouco, mudaram, entre nós, a face do jornalismo impresso. Vieram, com a reviravolta gráfica e editorial, a telefoto, o telex e depois o computador e a internet.

Mais ágil à medida que foi crescendo, o Jornal Pequeno aprendeu a diversificar seu espaço e aproveitar melhor cada momento da notícia. Nasceram, assim, o Colunaço do Peta, os Classificados do Pequeno, o Informe JP e suas Miudinhas, Atos, Fatos & Baratos, com o Canto Esquerdo, o Canto da Máxima, o Alô  do Peta, o Sobe e o Desce e o Últimas Notícias, na contracapa do jornal. Brotaram a Página Gospel, as charges de Wilson Caju e as Cartas ao Dr. Peta e  surgiram, também, as editorias de Política, de Cidade, de Polícia, em substituição às páginas confusas e dispersas.

O JP também ampliou sua cobertura com outros espaços, publicados semanalmente, como JP Saúde & Prevenção, Agenda Política, de Waldemar Terr, Microondas, de Joel Jacinto; Janela Livre, de João Bentivi e Espaço Aberto, de Aldir Dantas. Incorporaram-se ainda ao jornal seções como Caxias em Destaque e Caxias em Off, escrito por Jotônio Vianna, e a página JP Sul do Maranhão, redigida por Oswaldo Viviani, que produzia noticiário sobre a região tocantina, a partir de uma sucursal do jornal, à época instalada em Imperatriz, no sudoeste do Estado.

Graças a investimentos feitos na modernização da empresa, o Jornal Pequeno, pouco antes da virada do século XX para o século  XXI, passou à era da  informática. Os computadores chegaram à Redação e ao setor de composição.  Com isso, o tempo entre o fechamento do jornal e o início da impressão reduziu-se de forma considerável, já que o novo sistema proporcionou uma agilidade que o sistema antigo nunca teria. Os ares de renovação chegaram também à revisão, que teve de se modificar para adaptar-se ao computador. Hoje, com a informática, o revisor examina e corrige os erros de digitação e envia a cópia corrigida para o digitador. Este, por  sua  vez, chama o texto  ao terminal de vídeo e faz as correções de acordo com as indicações do revisor.

O off-set, mais rápido e econômico, aliado à informatização da composição, permitiu novo alento ao jornal. Com isto, este diário agora está à disposição do leitor também na Internet, através de uma Home Page atraente e moderna. Com a determinação de diversificar sua linha editorial, o Jornal Pequeno criou o Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante, coordenado pela saudosa Josilda Bogéa Anchieta e editado pelo professor Alberico Carneiro, e mantém o suplemento semanal JP Turismo, dirigido por Gutemberg Bogéa. Mais recentemente, foram surgindo novas colunas, como Agenda Cultural, Espaço Livre e Conexão Pop, que se somam a outros espaços assinados por colunistas como Riba Um e Aquiles Emir, este autor da coluna Conversa Franca e editor do Suplemento Negócio$.