Infraestrutura

AQUILES EMIR

Em Caxuxa, veículos têm dificuldades para passar em lombada|DivulgaçãoEm Caxuxa, veículos têm dificuldades para passar em lombada|Divulgação

Não há estado no Brasil onde a intervenção na malha viária é mais acentuada do que no Maranhão, onde contribuem para criação de obstáculos tanto o poder público quanto populares que residem às margens das rodovias. Na maioria dos casos, a definição de onde vai e quem vai fazer, ao seu modo, os redutores de velocidade parte de pessoas que se sentem prejudicadas com a presença de veículos, porém o que mais se vê é gente disputando leitos de estradas com veículos, caminhando, vendendo produtos e até mesmo fazendo reuniões, mas sempre que uma tragédia ocorre o acidente vira motivo de protestos.

No povoado Caxuxa, em Alto Alegre do Maranhão, no ponto em que as BRs 135 e 316 se interligam, esta semana moradores decidiram colocar uma lombada de tamanho desproporcional para reduzir a velocidade dos veículos. O motivo da intervenção foi um acidente de trânsito, que envolveu um motociclista embriagado e um ônibus. O motoqueiro perdeu o equilíbrio e caiu sob o veículo pesado e morreu. Os moradores resolveram então atear fogo em pneus e depois fizeram, com cálculos próprios, a lombada, pela até mesmo a passagem de caminhões é difícil.

Mas esta não é uma situação isolada, pois de Rosário a Barreirinhas (BR 402), porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, principal destino turístico do Maranhão, são mais de trinta. Entre Miranda do Norte e Arari (BR 222) são cerca de vinte, a mesma quantidade entre Santa Rita e Miranda do Norte (BR 135), apesar de haver controle de velocidade eletrônico. Uma das situações mais curiosas é no trecho duplicado da 135, entre a cidade de Bacabeira e o povoado Perizes de Baixo, pois já são mais de 17.

Prejuízos

Os prejuízos causados por essas intervenções são muitos e diversos, pois diminui o tempo de viagem e, consequentemente, eleva o custo do transporte de carga, faz o passageiro demorar mais tempo na estrada e, o que é mais grave, aumenta os riscos de violência, principalmente para quem viaja à noite, pois nestes pontos a ação de bandidos é facilitada: quando o motorista reduz (ou zera) a velocidade para ultrapassar o obstáculo é atacado, assaltado.

O empresário Marcelo Sergipano, da Multigado (indústria de rações e sais minerais), em Bacabal, diz que esse tipo de redutor traz prejuízos de toda ordem, e isto faz com que alguns potenciais clientes prefiram fazer negócios em outros lugares, onde os acessos são mais fáceis e seguros.

Apesar de o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conhecerem a situação nenhuma providência é tomada para evitar ou desfazer as lombadas ou mesmo conscientizar as comunidades às margens das estradas sobre o risco que é dividir esses espaços com veículos. Ao contrário disso, cada vez mais elas vão surgindo assim como feiras e outros tipos de comércio nos acostamentos, como é o caso de uma venda de camarões nas cabeceiras das pontes sobre o Estreito dos Mosquitos, em Estiva (São Luís), que é o prenúncio de tragédia, mas talvez alguém só vá se dar conta do risco quando uma vida for sacrificada.