Deterioração avança    

Há dois anos, foi discutido pela Semurh um projeto de revitalização da área. No entanto, até hoje o terminal continua tomado por desorganização, sujeira e insegurança

LUCIENE VIEIRA E OSWALDO VIVIANI

O Terminal do Anel Viário, localizado em pleno centro de São Luís, continua tomado por desorganização, sujeira e insegurança. Em 2013, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) anunciou que realizaria o projeto de revitalização na área, mas até hoje nada foi feito. O Jornal Pequeno esteve na quinta-feira (26) no local, quando registrou o mesmo cenário que se vê há muito tempo: sujeira por toda parte, esgoto correndo a céu aberto, bocas de bueiros abertas, abrigos com telhas soltas, colunas dos abrigos com as vigas expostas e azulejos faltando ou quebrados, buracos nas vias das plataformas, quiosques despadronizados (na maior parte, feitos de madeira, o que dá ao local uma péssima aparência) e falta de segurança.

Bocas de bueiros abertas e ambulantes ocupando abrigos: caos e desorganização no Anel Viário|Fotos: G.FerreiraBocas de bueiros abertas e ambulantes ocupando abrigos: caos e desorganização no Anel Viário|Fotos: G.Ferreira

Inaugurado no dia 1º de maio de 1986, para disciplinar o serviço de transporte público, no Terminal do Anel Viário foram construídas cinco plataformas para ônibus, além de 24 quiosques para a venda de comida e bebida. Desde sua inauguração, a área poucas vezes recebeu reparos.

Telhas e colunas dos abrigos estão se acabando com o tempoTelhas e colunas dos abrigos estão se acabando com o tempo

Quase três décadas depois, o espaço está em estado caótico. Estabelecimentos comerciais foram levantados em locais proibidos e uma verdadeira feira-livre se formou no terminal, sem nenhum respeito às mínimas normas de higiene.

Barracas de venda de comida e churrasquinho, estão montadas sob a cobertura dos abrigos, causando transtorno para quem aguardam os ônibus.

Maria Clara Menezes, de 24 anos, reclamou do cheiro da comida. “A comida está exposta. O cheiro de comida misturado ao fedor dos esgotos no Anel Viário é desagradável e nojento”, disse, incomodada.

Além de comida, por toda a extensão do terminal são vendidas mercadorias diversas, como brinquedos, roupas e mochilas.

Vala de esgoto a céu aberto fétido virou lixeiraVala de esgoto a céu aberto fétido virou lixeira

José Maria, de 57 anos, disse lembrar do Anel Viário na época em que foi inaugurado. Ele lamentou a falta de estrutura na área, que se tornou mais evidente por causa da disposição irregular das barracas despadronizadas dos comerciantes.

“Eles ocupam locais indevidos e contribuem para a desorganização do ambiente”, disse José Maria, ao apontar para algumas barracas de madeira.

O esgoto, que corre a céu aberto em várias partes do terminal, também colabora para piorar a falta de higiene do terminal.

Num local destinado ao embarque e desembarque de passageiros de vans e microônibus que fazem linha para o interior do estado, o cano de esgoto de uma vala está estourado. A água pútrida fica exposta e a vala ainda serve como uma espécie de lixeiro, onde são jogados sacos plásticos, latas de refrigerante, garrafas PET e restos de comida, o que atrai enormes ratos, baratas moscas e mosquitos.

Buraqueira e água de esgoto tomam conta das ruas de acesso ao terminalBuraqueira e água de esgoto
tomam conta das ruas de acesso ao terminal

Próximo à vala, a idosa Mariana Clementina de Jesus, de 60 anos, acompanhada pela neta de 5 anos, disse que o espaço traz risco de acidentes. “Alguém distraído pode cair nessa vala. Sem contar que o cheiro é insuportável”, disse.

O tráfego no Anel Viário também é caótico. Carros e motocicletas passam pelas plataformas por onde deveriam transitar apenas os ônibus.

O motorista de ônibus Luís Henrique Bayma, da linha Gancharia, da Taguatur, disse que é complicado manobrar o veículo em meio a tantos transtornos.

“Aqui é o caos. A gente tem que estar sempre atento ao trânsito para não se envolver em acidentes”, disse.

Para Luís Henrique, a falta de segurança no terminal é outro grande problema. “Quando paro no terminal tenho que ficar bastante atento para evitar que um assaltante entre no ônibus, sempre é uma situação de muita tensão, pois é raro a gente ver policiamento na área”.

A reportagem do JP ficou duas horas no Terminal do Anel Viário e não viu nenhuma viatura da Polícia Militar circulando no local.

Também não havia policiais monitorando a área a pé, para inibir os assaltos e o uso de drogas, situações comunes no terminal.

A vendedora Leilma de Jesus, de 24 anos, disse ter sido assaltada várias vezes no Anel Viário. “Já fui abordada por assaltantes armados, e tive todos os meus pertences levados. O número de vezes que isso aconteceu comigo no Anel Viário eu já nem conto mais”, informou.

PREFEITURA E ESTADO

A Subprefeitura do Centro Histórico informou que “está trabalhando na região do bairro Centro, juntamente com a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), na melhoria da iluminação pública, limpeza e calçamento”.

Segundo a prefeitura “já existe um projeto elaborado com a finalidade de revitalizar toda a região do terminal do Anel Viário”.

A prefeitura não informou maiores detalhes do projeto, como, por exemplo, quando ele será viabilizado.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que “a Polícia Militar vai intensificar o patrulhamento em toda a região do Terminal do Anel Viário, a fim de inibir as ocorrências criminais na região, principalmente, os assaltos e furtos na área”.

“O Comando de Policiamento de Área Metropolitano I (CPAM) deflagrará, ainda, ações de combate ao tráfico de drogas na área”, informou a nota.

“A segurança no Anel Viário está incluída no policiamento com as viaturas da Ronda da Comunidade do bairro Madre Deus e Centro, que realizam o policiamento 24h por dia. Equipes da Rotam e do Esquadrão Águia do Batalhão de Choque também efetuam rondas pelo local reforçando, assim, o patrulhamento em toda a região”, finalizou a SSP.

A Fonte do Bispo: história de São Luís escondida

‘Fonte do Bispo’ é monumento histórico ‘invisível’

PAGINA 1-00000007Em meio ao caos do Terminal do Anel Viário, a Fonte do Bispo – um importante monumento histórico de São Luís – está maltratada pelo abandono e fadada à invisibilidade. Não há no local nenhuma placa sequer que indique que ali é uma fonte histórica para a cidade: o lugar se resume apenas a um poço protegido por uma cobertura de alumínio.

No entanto, as características originais da Fonte do Bispo – que foi construída em pedra jacaré e tinha sua porta revestida de cantaria – se perderam. Hoje, rente à estrutura do poço, há uma pequena vala de esgoto.

O nome Fonte do Bispo se deveu a um incidente (não se sabe exatamente as circunstâncias) havido, em 1699, entre o bispo dom Frei Timóteo do Sacramento e o governador do Pará (que administrava o Maranhão), representado pelo ouvidor-geral Mateus Dias da Costa.

Na época, foi decretada a prisão domiciliar do bispo, em seu palácio, e este, sem poder receber visitas e renovar os meios de sobrevivência alimentar, rompeu o cerco e, de vasilha em punho, foi apanhar água nessa fonte existente próxima a sua residência. A partir daí, a nascente virou Fonte do Bispo.