Dores intensas e persistentes na coluna ou nas articulações podem representar enfermidades sérias e que, quando tardiamente diagnosticadas e tratadas, afetam a qualidade de vida dos pacientes. As doenças reumáticas que atingem o sistema músculoesquelético, ou seja, ossos, cartilagem, articulações e músculos, são de especialidade do reumatologista, que é o médico responsável por identificar a origem, as causas e o tratamento desses problemas.

Mas uma dúvida muito comum é quando procurar este especialista. Há centenas de doenças reumáticas, provocadas por inúmeros fatores, e que podem acometer pessoas de qualquer idade.

“O reumatologista cuida de doenças degenerativas, metabólicas, autoimunes, que afetam as articulações”, explica o médico Manoel Barros Bertolo, chefe da disciplina de reumatologia e superintendente do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de Campinas (Unicamp).

Segundo ele, em geral, quando se trata de uma dor ou inchaço articular que não tenha sido provocado por algum trauma pode ser o indicativo para consultar um reumatologista.

Uma das principais doenças reumáticas é a artrite reumatoide (AR), que provoca diversos problemas como erosão óssea e deformidades articulares. A AR é uma doença inflamatória crônica e progressiva, resultado de uma disfunção do sistema imunológico, que provoca dor persistente, inchaço e perda da mobilidade das articulações, fadiga e rigidez matinal. A enfermidade atinge cerca de 1% da população brasileira e não tem cura. “Portanto, um diagnóstico preciso e rápido é fundamental para controlar e impedir o avanço da doença, já que a lesão é irreversível”, alerta o reumatologista.

Outra doença reumática é a espondilite anquilosante (EA), caracterizada pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações como quadris e ombros. A EA afeta três vezes mais homens do que mulheres e surge normalmente entre os 20 e 40 anos. A dor na coluna é uma queixa frequente nos consultórios médicos e pode ser provocada por diversas situações.

Mas o reumatologista pode reconhecer a causa da dor e identificar se é ou não espondilite anquilosante. Apesar de o perfil genético contribuir de forma determinante para o seu o surgimento, sua causa ainda é desconhecida.

Manoel Barros Bertolo explica que as doenças reumáticas não envolvem apenas as articulações, mas também outros órgãos como rim e pulmão, por exemplo, e por isso este especialista possui um amplo conhecimento clínico, de imunologia, de genética entre outros. “O lúpus por ter início com uma nefrite e a artrite reumatoide pode estar relacionada a uma fibrose pulmonar”, exemplifica.

Embora as doenças reumáticas não tenham cura, os pacientes que sofrem desses males podem contar com diferentes tipos de tratamentos que aliviam os sintomas e os permitem restabelecer uma qualidade de vida normal. Os portadores dessas enfermidades podem recorrer a diferentes abordagens farmacológicas: analgésicos, anti-inflamatórios, corticóides e medicamentos modificadores do curso da doença (DMCD), que podem controlar a doença, evitando o dano articular – como os agentes chamados de biológicos, por exemplo o Enbrel (etanercepte), que atua bloqueando uma espécie de proteína que estimula e perpetua o processo inflamatorio.