Flávio Dino

Presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

A presidenta Dilma apresentou esta semana o cronograma de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas. Serão investidos R$ 1,6 bilhão para recuperar 425 imóveis e espaços públicos em 44 cidades de 20 estados ao longo dos próximos três anos. Além disso, o governo vai disponibilizar outros R$ 300 milhões em linhas de crédito para financiamento de reformas em propriedades privadas.

Obviamente, nessa lista não poderia faltar a nossa querida São Luís, cuja rara beleza do Centro Histórico a colocou na seleta lista de 12 Patrimônios Culturais da Humanidade reconhecidos pela Unesco no Brasil. Prestes a completar 401 anos, nossa capital precisa da conjugação de investimentos a fim de manter viva tão poderosa memória, de modo a servir para delinear a nossa identidade cultural e para projetos de desenvolvimento no âmbito da economia criativa.

Assim, o aporte financeiro do governo federal é muito importante em uma área vital para o turismo internacional no Brasil. As cidades históricas são verdadeiros “chamarizes” para o turista, como bem definiu a presidenta Dilma. Preservadas, elas geram emprego e renda para os cidadãos e transformam-se em uma importante alavanca de desenvolvimento regional.

Pesquisa realizada pela Embratur junto aos turistas que vieram ao Brasil para a Copa das Confederações, em junho, mostrou que o principal interesse deles, entre um jogo e outro, era justamente visitar nossos atrativos históricos e culturais. Mais da metade (51%) dos estrangeiros visitaram bairros históricos e 40% foram a museus, casas de cultura e exposições.

Imaginemos então o potencial que há para a Copa do Mundo 2014, quando 600 mil estrangeiros visitarão o Brasil. São Luís pode se beneficiar diretamente graças à proximidade com Fortaleza, a cidade-sede que mais receberá jogos, ao lado do Rio de Janeiro. É preciso fazer valer essa oportunidade.

A Embratur está fazendo sua parte, projetando fortemente o Maranhão no cenário internacional, com dezenas de iniciativas. Foi o que ocorreu na última quinta-feira, quando o Boi de Morros apresentou-se na Praça Navona em Roma, para cidadãos, operadores de turismo e jornalistas, com excelente repercussão.

A presença do Boi de Morros na capital da Itália representou o lançamento mundial dos projetos da Embratur para as Festas Juninas de 2014. Iremos lançar, em setembro, um edital de R$ 3 milhões para promoção no exterior de nossas festas juninas. As celebrações a Santo Antonio, São João, São Pedro e São Marçal são festas tipicamente brasileiras – ao lado do carnaval – que nos diferenciam no mundo e mostram um pouco do que somos. Promovê-las no exterior é uma forma de aproveitar a feliz coincidência de a Copa do Mundo 2014 ser realizada no mês de junho, levando ao imaginário mundial as Festas Juninas como algo tão facilmente identificado com o Brasil.

Como afirmou Dilma, “preservar essa memória é um pré-requisito para sermos uma nação que se levanta sobre seus próprios pés”. Estou seguro que o Brasil saberá priorizar isso nos próximos anos. E que o Maranhão seguirá esse caminho, utilizando riquezas tão poderosas como os nossos prédios históricos, os nossos recursos naturais, a nossa cultura – da qual o bumba meu boi é tão expressiva representação.