Aurea Borges/ EP News

A imprensa tomou conta do Hospital San Magno, cenário de ‘Amor à Vida’, durante a coletiva de apresentação da próxima novela das nove, realizada no Projac. Estiveram no evento, o autor Walcyr Carrasco, o diretor de núcleo Wolf Maya, o diretor geral Mauro Mendonça Filho e o elenco principal da trama. “É uma novela que vai falar de famílias e o amor é a base disso tudo. Eu não planejo a história. Tem que esperar acontecer. O gostoso para mim é inventá-la, e cada história tem o seu formato. O meu processo de criação é intuitivo. Eu não tenho expectativas. A minha questão é emocional e eu quero que as pessoas sintam amor à vida. A gente precisa amar a vida”, declara o autor.

É no San Magno, da família Khoury, que muitas histórias se desenrolam, que muitas relações acontecem. O cenário foi construído na cidade cenográfica e reúne, além da recepção, uma entrada de emergência, o pátio de ambulâncias, lojas de conveniências, livraria e floricultura. Na trama, o hospital está localizado na Avenida Paulista. “Estou muito excitado com a novela. Vamos mostrar uma São Paulo linda e contemporânea”, diz Wolf Maya, diretor de núcleo.

Mauro Mendonça Filho, diretor-geral de ‘Amor à Vida’, explica que usará uma linguagem livre para contar a história. “É uma novela que fala da busca pela felicidade. Eu amo dirigir melodramas. Em alguns momentos, é ótimo intensificar isso. Em outros, é preciso encontrar o equilíbrio deste gênero”, conta o diretor.

Com estreia para o dia 20 de maio, ‘Amor à Vida’ também vai mostrar a difícil escolha de Paloma (Paolla Oliveira) diante de um impasse que poderá mudar sua vida: seguir a carreira de médica, como seu pai César (Antônio Fagundes) e sua mãe Pilar (Susana Vieira) desejam; ou se entregar às aventuras de um louco amor nos braços de Ninho (Juliano Cazarré)? Escolhas que podem mudar o destino dela e de seu irmão, Félix (Mateus Solano), um homem ambicioso e incansável na luta pelo poder e que não poupará nem mesmo a irmã para atingir todos os seus objetivos. E o acaso também reserva uma surpresa para Paloma: Bruno (Malvino Salvador) e sua filha, Paulinha (Klara Castanho). Esse encontro mudará de vez o rumo destas três vidas. ‘Amor à Vida’ é ambientada em São Paulo, mas mostrará lindas paisagens do Peru nos primeiros

ENTREVISTA COM O AUTOR WALCYR CARRASCO 

Formado em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP, Walcyr Carrasco vive em São Paulo onde divide seus dias como escritor e autor de teatro e novelas. Sua carreira literária iniciou-se aos 28 anos, quando escreveu seu primeiro livro “Quando meu irmãozinho nasceu”. De lá pra cá, ele já soma 60 títulos em sua biografia, entre juvenis e adultos, sendo “Juntos para Sempre” o mais recente. Nos palcos, Walcyr estreou com a comédia “O terceiro beijo”, mas foi “Êxtase” que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Autor. Na Globo, é dele a autoria das novelas ‘O Cravo e a Rosa’, ‘A Padroeira’, ‘Chocolate com Pimenta’, ‘Sete Pecados’, ‘Alma Gêmea’, ‘Caras e Bocas’, ‘Morde e Assopra’ e ‘Gabriela’.

‘Amor à Vida’ é uma novela ambientada em São Paulo. Grande parte das cenas se passa em um hospital. Há uma forte história de amor e muitos conflitos familiares. Como juntar isso tudo e definir a história?

Walcyr Carrasco – É uma novela que vai falar de famílias. Desde as mais tradicionais, com seus segredos ocultos, até as mais modernas, em suas novas formações. Paloma (Paolla Oliveira), a protagonista, se verá diante de um grande dilema em sua vida: seguir a carreira de médica ou entregar-se ao amor livre de Ninho (Juliano Cazarré). Mas a novela busca outras respostas também. Respostas nem sempre fáceis de se responder, como no caso do amor por um filho, que será colocado em questão: quem tem mais direito, quem gera ou quem cria?

Em que você se inspira para escrever a novela, criar personagens e construir as tramas?

Walcyr Carrasco – A minha inspiração vem da literatura e da vida real. Eu tenho formação em literatura clássica e estou relendo toda a coleção de Balzac. É lá que estou buscando muitas tramas.E por exemplo, a história do bebê que é jogado em uma caçamba de lixo, foi inspirada em histórias reais. Uma vez, passando por uma cidade no sul do país, me deparei com um outdoor que dizia para não jogar seu bebê no lixo. Aquilo era real, uma campanha, e me chamou a atenção. Eu já tinha a história na minha cabeça, mas isso me fortaleceu.

Qual o diferencial da linguagem de ‘Amor à Vida’?

Walcyr Carrasco – Quero impor um ritmo de seriado ao contar a trama. Já trabalhei dessa forma e deu certo, quero repetir. É uma maneira de ter sempre uma história interessante por semana e dos personagens terem mais destaque. É o momento de cada trama.

No primeiro capítulo, os personagens Paloma e Ninho vão se conhecer no Peru e viver uma história de amor. Como foi a escolha desse país?

Walcyr Carrasco – Quando eu tinha 20 anos fiz uma viagem de mochileiro pelo Peru. Foi maravilhoso. Relembrei muitas histórias, minhas aventuras e isso me ajudou a criar o Ninho, personagem do Juliano Cazarré.

Como foi a escolha do elenco? Você participou?

Walcyr Carrasco – Foi uma decisão conjunta. Minha, do Wolf Maya e do Mauro Mendonça Filho. Wolf é muito bom para escolher elenco, tem uma boa visão de quem se encaixa em determinado papel e uma boa experiência em novelas das 21h. E para montar um hospital é preciso um corpo médico grande. Eu fiz questão de médicos e enfermeiros que fossem interpretados por bons atores. Para isso foi necessário escalar um grande elenco.

‘Amor à Vida’ é a sua estreia como autor de uma novela das nove. Qual é a sua expectativa?

Walcyr Carrasco – Para mim toda novela é importante, não há diferença entre escrever para o horário das 19h ou das 21h. Ao escrever uma novela, eu tenho que me encantar com a história.

 Por que mostrar São Paulo como cenário de ‘Amor à Vida’?

Walcyr Carrasco – Quando vamos ao exterior, vemos tudo, queremos conhecer todos os lugares. Em São Paulo, não conhecemos quase nada. Eu conheço muito a capital. São Paulo é uma cidade internacional, com parques incríveis, coisas lindas. É isso que quero mostrar.