José de Oliveira Ramos
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'A morte recente do carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta, entre muitas coisas, serviu também, para permitir a afloração da hipocrisia humana. E, neste caso, aqui entre nós, em São Luís. Serviu também, reitere-se, para trazer à tona a falta de escrúpulos e o provincianismo de alguns que ainda cometeram a idiotice de 'pegar carona' no acontecimento, como se o falecido tivesse, em algum momento, qualquer ligação com a cultura popular maranhense, ainda que com o carnaval desta terra, pelo simples fato de aqui ter nascido. Joãosinho, teve sim, muita importância, mas para o carnaval carioca e onde (morou, viveu e adoeceu) mostrou, realmente, a sua competência. E só não diz isso, quem vive a soldo dos inescrupulosos e aproveitadores de ocasião. (JOR).'

Domingos Jorge Pires Leal, Djalma Campos, Humberto Marçal Pestana Trovão, Raymundo Silva, Raul Guterres, Raul Menezes, Walber Penha e Caetano Neto para ficarmos apenas entre os desportistas que nas últimas décadas estiveram envolvidos com o desenvolvimento e a valorização do esporte maranhense, são nomes que, obrigatoriamente, teriam que ser lembrados pelos poderes constituídos para homenagens. Trocando em miúdos: fizeram 'algo' pelo Maranhão, o Estado onde nasceram.

De forma estranha e provinciana, os poderes constituídos do Estado ou do Município só atuam nesse sentido quando algum tipo de interesse condenável lhes incita e traz resultados além da urbanidade.

Quem duvidar disso, nos envie comprovação (o endereço eletrônico está elencado acima) de algo que tenha feito por São Luís ou pelo Estado do Maranhão, o ex-político baiano Luiz Eduardo Magalhães e outros que, apenas para massagem do ego e demonstração provinciana de poder de quem sugere a homenagem, ganham nomes de ruas e avenidas importantes da capital. Em contrapartida, alguém que porventura ande Brasil à fora, já viu em algum lugar uma rua ou avenida com o nome de Deputado João Evangelista, Deputado Raimundo Leal, Governador Luiz Rocha para citarmos apenas os que já estão num plano superior?

Claro que, Gonçalves Dias, Odylo Costa, Arthur Azevedo e outros do nível, não podem servir de exemplo.

Pois, a Câmara Municipal de São Luís e a Assembléia Legislativa do Maranhão, têm dificuldades para contar as proposições de concessões de títulos e homenagens a Jararaca e Ratinho, Waldick Soriano, Roberto Carlos, Chico Anysio, Sílvio Santos, Michael Jackson, Ana Maria Braga e tantos outros que sequer sabem se São Luís e Maranhão ficam na Bolívia, em Constantinopla, nos Alpes ou se são apenas parte da Ilha de Curupu. Vá entender!

Isso, além de provinciano, não passa de agachamento. Procurem saber se o povo aprova essas bobagens!

Pois, no limiar dos 400 anos de São Luís, informalmente, fizemos uma indicação ao Deputado Estadual Zé Carlos, do PT/MA, para que, quando alguma oportunidade (e vontade, claro!) tiver, sugira aos poderes constituídos e responsáveis pela programação de homenagens (tem algum??!!) e inaugurações relativas ao 8 de setembro de 2012, uma simples – é mais barato que um pé de babaçu!!!! – homenagem a três desportistas que tiveram todas as suas vidas e atividades dedicadas a São Luís e ao Maranhão.

Os nomes: José Ribamar de Oliveira (Canhoteiro), Cláudio Antônio Vaz dos Santos (Alemão) e Sebastião Silva Pereira (Tião). A homenagem sugerida foi em forma de estátua no tamanho do homenageado. Cláudio Vaz dos Santos – que para nossa alegria ainda está entre nós – e Tião teriam suas estátuas colocadas no hall de entrada do reformulado Ginásio Costa Rodrigues. Quem conhece os dois, sabe da importância deles para o esporte maranhense e para o ginásio.

Canhoteiro tem estátua em tamanho normal no Morumbi, local onde foi apenas ídolo. No Maranhão, poucos sabem que o Estádio Castelão recebeu o seu nome, provavelmente porque quem assim sugeriu, não teve muita convicção ou tem vergonha do feito. Ali, na reinauguração, independentemente de que Canhoteiro tenha nascido em Coroatá ou em São Luís – como afirmam alguns familiares – tem que ter uma estátua em bronze e em tamanho igual ao do homenageado. Mas, nem duvidamos que, para aparecer para a França, alguém sugira uma estátua para Platini!

Os homenageados – Cláudio Antônio Vaz dos Santos, o Cláudio 'Alemão'. Nasceu em São Luís, no dia 24 de dezembro de 1935. Foi atleta de Basquetebol, Voleibol, Futebol de Campo e de Salão, Atletismo e Natação. Pertenceu à famosa 'Geração de 53, do esporte maranhense, atuante nas décadas de 50 e 60. O adolescente Cláudio se envolvia com aqueles jovens – alguns já professores, inclusive Rubem Goulart já retornara do Rio de Janeiro formado em Educação Física e começava sua carreira profissional; Cláudio, na ausência de algum outro jogador, era chamado para completar o time, nos diversos esportes que praticavam notadamente o Basquete e o Voleibol.

Quando Cláudio chegou ao Colégio Maristas de São Luís, começou a praticar Atletismo, numa pista improvisada no Estádio Santa Isabel: corridas, lançamento de peso, lançamento de dardo e lançamento de disco. Anos depois, já dirigente, trouxe a São Luís o professor Zé Teles da Conceição, campeão brasileiro, que reciclou os professores.

Jogava-se também uma mistura de basquete e futebol americano, introduzido pelo Professor Zé Rosa, do Liceu – uma espécie de basquete, tipo futebol americano, onde você saia correndo com uma bola e encestava. Voltando a 1952, eram disputados os Jogos Olímpicos Secundaristas, organizado pelo jornalista Mario Frias, disputando-se Basquetebol, Voleibol, Futebol de Campo, Atletismo e Natação. Cláudio Antônio Vaz dos Santos, o Alemão, foi o mais importante idealizador da competição que hoje recebe o nome de JEMs (Jogos Escolares Maranhenses). Tudo que fez, foi para São Luís e pelo esporte maranhense.

Sebastião Silva Pereira (conhecido popularmente como Tião) foi um jogador de Handebol do estado do Maranhão. Mas também prtaticava com igual maestria e excelência no desempenho, o Futsal, o Basquete e o Futebol.

Foi campeão brasileiro pela seleção maranhense em 1976. No mesmo ano foi escolhido o melhor jogador do Brasil. Recebeu o apelido de 'Maravilha Negra' quando jogou na França. Tião faleceu em 2005 aos 48 anos por complicações de cirrose hepática. Como única homenagem recebida até hoje, em que pese a sua idolatria e reconhecimento internacional, o então presidente da FUMDEL (Antonio Isaías Pereira) conseguiu mudar o nome do ginásio de esportes do Parque do Bom Menino para Ginásio Tião.

Após conviver vários anos com problemas de saúde e ter sido internado um sem número de oportunidades para tentar se livrar desses problemas – com o apoio de amigos como Ruy Palhano, Phil Camarão, Luiz Roberto Gonçalves e outros – faleceu em 2005 no Hospital Djalma Marques (Socorrão I). Considerado o melhor jogador de Handebol de todos os tempos no Maranhão e um dos melhores do mundo, Tião convivia com problemas pessoais que obrigaram o seu internamento hospitalar em várias oportunidades.

José Ribamar de Oliveira, mais conhecido como Canhoteiro teria nascido em Coroatá, a 24 de setembro de 1932, embora alguns familiares afirmem que o mesmo nascera em São Luís, faleceu em São Paulo, a 16 de agosto de 1974. Pelé costuma dizer que o tinha como um de seus dois maiores ídolos, ao lado de Zizinho. Canhoteiro media 1,68 metro e era um ponta esquerda extremamente habilidoso. Era veloz, e seu drible costumava entortar os adversários. Talvez seu único ponto fraco em campo fosse a marcação. É um dos maiores ídolos do São Paulo de todos os tempos e foi também um dos primeiros jogadores de futebol a ter fã-clube organizado.

O maranhense Canhoteiro iniciou a carreira profissional atuando pelo América de Fortaleza em 1949, chegando pouco depois à seleção cearense. Foi para o São Paulo em abril de 1954, onde se projetou para o futebol, comprado por cem mil cruzeiros. Sua estréia foi contra o Corinthians, time do zagueiro Idário, que foi talvez quem mais sofreu com seus dribles. Canhoteiro chegou para substituir Teixeirinha e foi campeão do Torneio Jarrito, no México em 1955, da Pequena Taça do Mundo, na Venezuela, e Paulista, em 1957, ao lado de Zizinho. Esteve três vezes na seleção brasileira: no Sul-Americano Extra de Lima, na Taça Oswaldo Cruz e na excursão preparatória para a Copa do Mundo de 1958.