Ele estava internado desde o dia 3 e foi vítima de um choque séptico

POR VALQUÍRIA FERREIRA

O carnavalesco João Clemente Jorge Trinta, de 78 anos, o 'Joãosinho Trinta', faleceu na manhã de ontem (17), às 9h55, em decorrência de um choque séptico, conhecido como falência múltiplas dos órgãos. De acordo com a assessoria de comunicação do Hospital UDI, o artista maranhense estava internado naquela casa de saúde desde o dia 3 deste mês, e sua morte foi ocasionada pelo agravamento de uma pneumonia e infecção urinária.

O médico Carlos Gama, cardiologista e diretor clínico do Hospital UDI, contou que o estado de saúde de Joãosinho Trinta havia piorado em decorrência da pneumonia, insuficiência cardíaca, agravamento da insuficiência renal que gerou s sepse (infecção geral grave por parte de germes patogênicos) e evoluiu para choque séptico (infecção generalizada que acontece quando as bactérias, fungos ou vírus de uma infecção local chegam à corrente sanguínea atingindo todo o corpo). 'O choque séptico é uma das principais causas de morte de pacientes em hospital. Dificilmente, alguém resiste a esse quadro. Joãosinho Trinta era idoso e tinha muitos problemas de saúde, e não resistiu', disse. O carnavalesco respirava com ajuda de aparelhos, e morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Esta era a sua terceira internação no período de seis meses.

O assessor de comunicação do artista, Biné Gomes, contou que tinha esperança de que Joãosinho Trinta resistisse a esses problemas de saúde. 'Tinha fé de que ele voltaria, tanto que demoramos divulgar esse fato para a imprensa, mas Deus quis levá-lo', falou. 'Esse momento é de muita dor para a família e amigos; é uma grande perda, era um talento grandioso para a equipe técnica do projeto 400 anos de São Luís. O mundo artístico perde um dos melhores carnavalescos do Brasil', completou.

Atualmente Joãosinho Trinta integrava a equipe técnica do projeto 400 anos de São Luís, onde vários artistas maranhenses vão ser beneficiados no próximo ano. O projeto foi finalizado pelo carnavalesco, e em 2012 deverá ser executado. Joãosinho Trinta iria desfilar no último carro alegórico da Escola de Samba Beija-Flor, que irá homenagear os 400 anos da capital maranhense.

O presidente da Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos, Ivaldo Santana da Silva, conhecido como 'Brasa Santana', esteve no Hospital UDI para saber mais informações sobre a morte de Joãosinho Trinta. 'O Brasil perdeu um grande artista. Eu considerava Joãosinho como o maior carnavalesco brasileiro. Deus levou um maranhense que vai se eternizar na história do mundo artístico', falou.

O carnavalesco maranhense Joãosinho Trinta residia a cerca de um ano, em um apartamento no Edifício Monblanc, no Bairro do Renascença. Ele deixa uma irmã, de 85 anos, e nove sobrinhos.

O velório do artista maranhense acontece no Museu Histórico e Artístico do Maranhão, na Rua do Sol – centro de São Luís. O sepultamento está agendado para amanhã (19), às 10h, e pode ser no Cemitério do Gavião.

Biografia – João Clemente Jorge Trinta, popularmente conhecido como Joãosinho Trinta, é considerado um dos maiores nomes do Carnaval carioca e maranhense. Ele nasceu em São Luís – MA, no dia 23 de novembro de 1933, e demonstrava desde cedo o gosto pelas artes – tanto é que, aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar dança clássica no Teatro Municipal.

Durante 25 anos, o carnavalesco fez parte do Corpo de Baile do Teatro Municipal e encenou duas óperas, O Guarani, de Carlos Gomes; e Aída, de Giuseppe Verdi. Em 1961, ingressou na Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro como assistente e, dois anos depois, consagrou-se campeão ao lado da escola, que apresentou o enredo Chica da Silva, de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues.

Com a saída de Pamplona e Rodrigues, tornou-se carnavalesco da escola. Em 1973, fez dupla com a artista plástica Maria Augusta no enredo Eneida: Amor e Fantasia, que alcançou o terceiro lugar. Já como carnavalesco-solo se tornou bicampeão pela escola: em 1974, com O Rei de França na Ilha da Assombração, e em 1975, com O Segredo das Minas do Rei Salomão.

Em 1976, Joãosinho aceitou o convite para assumir a agremiação da Beija-Flor, levando a escola a conquistar o título de campeã, com o enredo Sonhar com Rei dá Leão, em referência ao jogo do bicho – a escola também viria a ganhar em 1977, 1978, 1980 e 1983. Joãosinho criou e organizou diversos programas sociais de inclusão da população carente na época em que esteve na escola.

Em 1989, Joãosinho causou um verdadeiro reboliço na Sapucaí, chamando a atenção inclusive da Igreja Católica com o enredo Ratos e urubus, larguem minha fantasia. No abre-alas, havia uma réplica do Cristo Redentor, que acabou escondida por sacos de lixo devido à proibição da Igreja. A cena é tida como um dos marcos do Carnaval carioca.

Após 17 anos na Beija-Flor, Joãosinho Trinta transferiu-se para a Escola de Samba Unidos do Viradouro, onde ganhou o título do carnaval de 1997 com Trevas! Luz! A explosão do Universo. Em 1996, sofreu um derrame que paralisou um dos lados de seu corpo; mas, mesmo assim, continuou seu trabalho na escola. Em 2004, foi homenageado no Carnaval pela Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, que elegeu como tema sua vida e sua obra.

Em novembro do mesmo ano, Joãosinho sofreu um novo derrame e, no ano seguinte, decidiu afastar-se da Sapucaí, atuando apenas como uma espécie de consultor durante as preparações para o Carnaval. A partir de 2006, passou a se locomover com cadeira de rodas e, desde então, vinha passando por graves problemas de saúde. Em consequência do derrame, Joãosinho tinha parte do cérebro paralisada, por isso, tinha dificuldade de se locomover. Depois apresentou problemas no coração devido à aterosclerose (doença vascular que afeta pequenas artérias musculares). Depois disso, o artista contraiu várias doenças.

Roseana Sarney lamenta a morte de Joãosinho Trinta

Profundamente entristecida, a governadora Roseana Sarney lamentou a morte do amigo querido Joãosinho Trinta, de 78 anos, ocorrida neste sábado (17), às 9h55, no Hospital UDI, em São Luís. Ela declarou que o carnavalesco e artista genial João Clemente Jorge Trinta foi um dos mais brilhantes brasileiros do século XX.

'Joãosinho Trinta elevou o nome do Maranhão com sua maestria e genialidade, transformando o Carnaval do Rio de Janeiro e do Brasil, esbanjando irreverência e criatividade. Ele será lembrado eternamente por sua capacidade de vencer desafios e traduzir em belos enredos a alegria de ser brasileiro', afirmou.

Roseana Sarney destacou ainda a parceria de Joãozinho Trinta com o governo do Estado na produção da festa em celebração aos 400 anos de São Luís, a serem comemorados no ano que vem. 'Joãozinho pensou num grandioso projeto, que agora deverá ser levado adiante, até como forma de homenagem a esse maranhense que marcou a história da arte brasileira', assinalou.

Nesse momento de tristeza, a governadora Roseana se solidarizou com familiares e amigos do artista, destacando que a trajetória vitoriosa de Joãosinho Trinta deve ser motivo de orgulho para todos os maranhenses e que ele também deve ser reconhecido pelo amor ao Maranhão, terra onde nasceu e decidiu passar os últimos anos de sua vida. 'Joãosinho foi um grande campeão em toda sua vida', ressaltou a governadora.

Joãosinho Trinta é motivo de orgulho, diz João Castelo

O prefeito de São Luís, João Castelo, lamentou a morte do maranhense Joãosinho Trinta e disse que o artista foi um dos mais expressivos nomes da nossa cultura popular. Que ele transformou o Carnaval, encantou multidões e levou a alegria e o talento das pessoas simples para os desfiles nas avenidas do mundo.

Segundo o prefeito, pela sua história, pelo legado da sua obra, Joãosinho Trinta foi e será sempre motivo de orgulho para São Luís, para o Maranhão e para o Brasil.