Alexandra Vidal – EpNews

Ela é tão criança e sapeca quanto a boneca Emília do “Sítio do Picapau Amarelo”. E é difícil acreditar que a jovem Tatyane Goulart completará 24 anos no próximo mês. Por isso mesmo, a atriz empresta várias de suas características para a boneca de pano e se vê, até hoje, como a menininha que estreou na tevê em 1991, aos 7 anos, em “Felicidade”. Ela usa sua voz quase infantil e pausada para explicar que uma das maiores dificuldades na hora de encarnar a mascote da turma de Monteiro Lobato foi não ter lido sua obra literária quando era criança. “Estudei tudo depois de adulta. Na minha infância, minha leitura era restrita aos capítulos das novelas que eu fazia”, diz.

Sua escalação para o papel foi um grande susto para a atriz. Tatyane queria muito o posto de protagonista do programa, mas estava tão acostumada a ver Isabelle Drummond na pele de Emília que não acreditava que alguém da sua idade pudesse ser escalada. Só depois que o convite oficial foi feito é que a jovem descobriu que, nas outras versões do programa, a boneca sempre foi interpretada por atrizes mais “crescidinhas”. A idéia, inicialmente, soava estranha, principalmente porque os escolhidos para viver Pedrinho e Narizinho, Victor Mayer e Raquel de Queiroz, eram crianças. “Só depois que peguei alguns vídeos de todas as épocas do Sítio vi que a Isabelle foi uma exceção”, lembra a atriz, que já tem 16 anos de carreira no currículo.

Um dos fatores que mais atraíram a atenção de Tatyane para interpretar Emília foi o fato de o programa utilizar um estilo de dramaturgia mais teatral. Essa é uma forma de disfarçar a saudade que sente de poder se aventurar em outras áreas. A atriz planeja produzir sua primeira peça no ano que vem, mais ainda não sabe se isso vai ser possível porque seu futuro no Sítio do picapau amarelo é incerto. Como o contrato é feito por temporada, Tatyane, inicialmente, deixa a produção no fim do ano. Mas isso pode mudar. “Adoro o trabalho, mas me prende, me atrapalha para fazer várias outras coisas. Espero que aconteça o melhor para mim”, diz Tatyane, que já recusou convites para dois filmes por incompatibilidade de horário.

Ela estreou em “Felicidade”, em 1991, interpretando a pequena Bia, filha da protagonista Helena, de Maitê Proença. Na época, não pensava em ser atriz, queria mesmo seguir uma carreira de modelo. O convite para o primeiro teste na Globo surgiu, inclusive, durante um desfile infantil. “Falaram com a minha mãe que precisavam de uma menina com o meu físico para fazer a filha da Maitê. Fiz os testes, mas sem a menor expectativa de entrar. Era uma brincadeira”, recorda. A menina só se deu conta de que poderia estar dentro quando, um dia, durante uma das etapas da seleção, a própria Maitê foi falar com ela, elogiando sua atuação. “Ali comecei a me empolgar e tentar mesmo ficar com o papel”, conta. Depois disso, a jovem emplacou três novelas seguidas, O Mapa da mina, Perigosas peruas e quatro por quatro.

Tatyane Goulart começou sua carreira artística ainda pequena. Com apenas 7 aninhos, ela já colecionava um prêmio de melhor atriz mirim, o “Troféu Antena de Ouro”, pelo excelente trabalho realizado em 1991 na extinta novela “Felicidade”. “Meu primeiro prêmio da carreira. Foi muito marcante receber esse prêmio no meu primeiro trabalho e tendo 7 anos isso ganhou uma dimensão ainda maior pra mim”, .

Em seu currículo constam diversos trabalhos, como: “Mapa da Mina”, “Quatro por Quatro”, “Malhação”, “Uga Uga”, “Kubanacan”, “Senhora do Destino” e diversas participações especiais. De lá para cá, a garotinha Taty tornou-se uma bela mulher. Hoje, aos 22 anos, essa carioca confessa para gente seus planos para o futuro que inclui a montagem de um espetáculo adulto com sua amiga. “Estamos na fase inicial e sonhamos uma coisa bem bacana”, diz.