Felinto Ribeiro
[email protected]

Os acontecimentos históricos no oceano do tempo têm uma semelhança histórica, pouco importa o povo e a localidade.

O povo Judeu, que serve de paradigma histórico, foi o povo que enfrentou o maior número de tragédias, foi alvo de três diásporas, mas o sentimento de nacionalismo Judeu alimentado pelo credo religioso nunca se apagou. Os Judeus perambularam pela Babilônia, como escravos, e estiveram na Pérsia.

A diáspora de Adriano espalhou os Judeus para 100 países na face da terra. Na II Guerra Mundial veio o holocausto dos Judeus na Alemanha e Polônia, culminando o sacrifício de cerca de 6 milhões de vítimas nos campos de concentração nazista.

O povo Judeu teve vários líderes entre eles José do Egito que levou cerca de 75 pessoas de sua família para o Egito e após 400 anos de sofrimento surgiu Moisés, que conduziu cerca de 3 milhões de pessoas a terra prometida, a cidade de Canaã, não podendo concluir o seu objetivo entregou o cetro a Josué.

Na Massada foi o cenário da última resistência dos Judeus Zelotes, na revolta contra a dominação romana, ocorrida entre 66 e 73 d.C.

O seu líder foi Eleazar Ben Yair e a sua mãe Mariana preferiu o sacrifício de toda a família do que morrer nas mãos do inimigo.

A história do povo Judeu está palmilhada com lágrimas de sangue e sofrimento, mais apesar das tragédias este povo nunca esqueceu a sua origem, sua pátria (Palestina) e Jerusalém, sua cidade histórica e sentimental.

Os Judeus após o holocausto nazista na II Guerra Mundial, viram surgir um novo líder, David Ben-Gurion, que entrou em contato com grandes Judeus entre eles Albert Einstein, autor da lei da relatividade e o banqueiro Rothschild, francês que financiou o retorno do povo Judeu à Palestina e a conquista de Jerusalém com a compra da metade da cidade. A criação do Estado Judeu foi um movimento sionista liderado por David Ben-Gurion, que foi o mais importante líder da comunidade Judaica.

Ben-Gurion ofereceu a presidência do Estado de Israel a Albert Einstein, autor da lei da relatividade. Ele respondeu a Ben-Gurion que seria mais útil ao estado Judeu como cientista, influenciando vários governos em favor da criação do lar Judeu.

Ele combinou o idealismo com um sentido prático oportunista. Em 1938, num encontro com sionistas trabalhistas da Grã-Bretanha, Ben-Gurion afirmou: “Se eu soubesse que seria possível salvar todas as crianças da Alemanha ao trazê-las para a Inglaterra ou apenas metade ao transportá-las para a Terra de Israel, então eu optaria pela segunda alternativa. Pois temos que tomar em consideração não apenas as vidas destas crianças, mas também a história do povo de Israel”.

O exemplo do povo Judeu trouxe para a família Leda os mesmos propósitos que os líderes judeus tiveram para a criação do estado hebreu.

Na família Leda, em proporções menores, ocorreram episódios idênticos quando o grande líder Leão Rodrigues de Miranda Leda, nos idos de 1875, incorporou-se ao Partido Liberal em Grajaú, defendeu o liberalismo com alforria dos seus escravos no município de Grajaú e Pastos Bons, aliando-se a Isaac Martins em Barra do Corda e, nos idos de 1880, lutaram juntos pela república.

Benedito Leite, ex-republicano, aliou-se aos monarquistas através de um conluio político executado entre Quintino Bocaiúva e o Barão de Itu e com esta negociata espúria Benedito Leite assaltou o comando político do Estado e provocou o massacre dos republicanos de Grajaú.

O morticínio foi comandado pelo capitão João de Deus Moura Carvalho contra aquela pacata população de Grajaú, onde os corpos não tiveram direito ao túmulo e os abutres passaram a se alimentar dos cadáveres.

Com a morte do adjunto promotor Estolano Polary em 1898 agravou-se o massacre entre a família Leda e os seus seguidores.

Em 1899 iniciou-se a diáspora da família, promovida por Benedito Leite, desenvolvendo uma empedernida perseguição contra o líder Leão Rodrigues de Miranda Leda, adepto do movimento liberalista no sertão maranhense. A diáspora da família Leda ultrapassou os limites do estado do Maranhão, se deslocando para o Amazonas, Pará, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, etc.

Leão Leda passou de 1898 a 1900 foragido, culminando com o seu exílio para Boa Vista do Padre João, aonde chegou em 1900 e onde em 1907 foi vítima de implacável vingança. Após lutas sangrentas naquela localidade, seguiu em fuga para Conceição do Araguaia, em companhia de seu filho Mariano e alguns homens. Nesta cidade ele foi barbaramente assassinado em 09 de março de 1909.

Conceição do Araguaia é a reprodução da fortaleza Massada de 66 e 73 d.C em que Mariana e seus 12 filhos liderados por Eleazar Ben Yair resistiram como Judeus Zelotes, preferindo o sacrifício de sua vida a entregar-se aos inimigos romanos.

Os episódios da família Leda se assemelham aos acontecimentos que culminaram com o sofrimento do povo Judeu. Na Massada judaica Mariana foi a sua heroína e na Massada dos Ledas em Conceição do Araguaia, o herói foi o jovem Mariano, filho de Leão Leda, assassinado junto com seu pai.

Após 97 anos do assassinato do líder Leão Leda, surgiu no seio da família Leda um líder que aglutinou essa numerosa prole de cerca de 3.000 pessoas distribuídas por vários estados brasileiros e em 8.9.2007 realizou-se o I Encontro da Família Leda em Petrolina-PE, com a representação de cerca de 120 delegados de vários estados brasileiros.

Foi um encontro sentimental em que a memória de tanta dor e tragédia foram descritos por vários personagens que compunham a delegação dos Ledas em Petrolina. Quero ressaltar a participação ativa de Betânia Leda, Maria Letícia Leda, Emoil Leda, Maria Auxiliadora Leda, José Márcio Leda, Márcia Ferreira Alex, Márcia Lea, Cristiane Ferreira Borges, Leone Coelho Leda, Bia Celeste, Maria Edna Ferreira, Nazarethe Albuquerque, Maria Laura Léda Ferraz, Filha de Manoel Moreira Leda, que se fez Acompanhar de Sua Filha Ana Regina Leda onde a mesma fez a apresentação de Laudelina (Loló) esposa ee Manoel Moreira Leda a esta seara de lúcidas personagens em que tivemos a feliz oportunidade de celebrarmos este evento que ficará na memória como um traço indelével. Meus votos de gratidão e reconhecimento pela maneira cortês e cativante com que fomos recebidos e a promessa de que continuaremos na investigação contínua da verdade, mergulhando nos porões da história e conduzindo para a sociedade a imagem de um líder que sacrificou tudo de si em favor de um ideal.

Leão Rodrigues de Miranda Leda, foi o Simão Bolívar do Maranhão, fez o papel de Martin Luther King de outrora, e encarnou os propósitos do líder Mahatma Gandhi que lutou contra o colonialismo britânico na Índia.

Os bravos, heróis não pertencem nem a si nem à família, pertencem à humanidade, pois a história se faz com os bravos heróis e não com os covardes.

A verdade anda a passos lentos, porém firmes, ela está sempre oculta no meio dos hipócritas, covardes e oportunistas, a verdade é a luz que elimina as trevas é o caminho que tem obstáculos, mas a sua conquista é cheia de glória.

O I ENCONTRO DA FAMÍLIA LEDA, realizado em Petrolina-Pernambuco dia 08 de setembro de 2007, teve o objetivo de criar um espaço de confraternização dos Leda, divulgar a história dos ideais liberais e lutas políticas da família na segunda metade do Século XIX e início do Século XX e também resgatar a memória de Leão Leda, o grande líder, cuja história foi sempre contada distorcida, para justificar o bárbaro extermínio de que foi vítima.

Por que em Petrolina? Porque grande parte da família de Leão Leda, pressionados pelas perseguições políticas que aconteceram contra a família ao final do século XIX e início do século XX, tiveram que se retirar de Grajaú e foram para Petrolina. De lá se espalharam para Recife, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Salvador e outras cidades. Hoje grande parte da família Leda vive nessa região.

Para participar do Encontro vieram parentes de diversos pontos do Brasil: Niterói, Goiânia, Brasília, São Luís, Grajaú, Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Campina Grande, Recife, e outros.

A Coordenação do Evento ficou a cargo de Lauro Coelho Leda Filho é bisneto de Leão Leda e reside em Salvador, Letícia e Virginia Leda.

Durante todo o dia 08/09, a família participou de palestras sobre a história da Família. A abertura do Encontro foi feita pelo deputado estadual Ciro Coelho, que além de falar sobre Petrolina, afirmou a contribuição dos Leda que lá se instalaram, contribuindo para o progresso e desenvolvimento da cidade.

A árvore geneológica da família foi apresentada por Lauro, coordenador do evento, que destacou também os outros ramos da família de irmãos de Leão (Luis e Ana).

Os ideais e lutas políticas da família foram apresentados por três palestrantes. Virginia Palhano, de Niterói, falou sobre “As lutas e ideais políticos da família antes da República”. Lilian Leda Saldanha, de São Luis, discorreu sobre “As lutas políticas após a República”. Maria Cléa Mangabal, de Grajaú, finalizou apresentando “O Massacre de um líder: até onde pode levar a luta por um ideal e um sonho?”

O Massacre de Alto Alegre, foi apresentado por Virgínia Padilha, através de um vídeo que narra a história de Perpétua dos Reis Moreira, prima de Leão, Luis e outros Ledas, que foi raptada pelos índios, não sendo jamais encontrada.

A história de Manoel Leda, filho de Leão, que se exilou em Petrolina no início do século, foi recontada por seu filho Leone Leda.

Além das palestras houve confraternização, almoço, cocktails, passeios, etc. O Encontro superou todas as expectativas, permitindo às gerações mais novas conhecerem sua história e o passado de seus ancestrais.

O local escolhido para o Encontro foi o Hotel Petrolina Palace, onde logo na entrada havia uma faixa dando boas vindas à família, com os seguintes dizeres: FAMÍLIA LEDA: PETROLINA A RECEBE E ACOLHE DE CORAÇÃO E BRAÇOS ABERTOS E CONGRATULA-SE PELA PASSAGEM DO PRIMEIRO ENCONTRO DA FAMÍLIA. SEJA BEM VINDA!

Ao final do Encontro foi lançada a idéia de um II Encontro em 2009, ano do centenário da morte de Leão Leda e que poderá ser realizado em Grajaú, berço da família Leda.

Petrolina simboliza para a família Leda a Canaã do povo judeu, foi nesta cidade em que ocorreu o mais importante acontecimento histórico após um século de existência.

A legendária Petrolina banhada pelo Rio São Francisco simbolizando o Rio Jordão em que os Judeus conduzidos por Josué atravessaram este caudaloso Rio e chegaram a Canaã a sua terra natal.

O evento da família Leda teve representantes de 8 estados, o nível cultural dos Ledas foi representado por um Juiz de Goiás, quatro médicos presentes, o neto de Leão Leda Leone Leda, médico em Feira de Santana teve bastante destaque na organização da festa de confraternização, participou o coronel Otacilio Ferraz casado no seio da família Leda.

Petrolina passou a cidade em 1895, uma das mais prosperas cidade de Pernambuco tem uma população de 230 mil habitantes a maior exportadora de frutas, a sua exportação ultrapassa 200 milhões de dólares, 95% da Uva consumida e exportada para o exterior é produzida nesta cidade, 90% da Manga exportada a maioria segue por via aérea para a Europa, 24 horas depois esta na mesa do povo Europeu.