Por José Linhares Jr.

Meio ambiente

Um estudo feito por cinco formandos da Escola de Formação de Governantes do Maranhão sobre os rios de São Luís demonstra que a situação da bacia hidrográfica da região metropolitana de São Luís é critica. No levantamento, eles expõem os principais problemas dos rios e apontam algumas medidas que podem frear o processo de degradação.

Os dados foram levantados durante mais de 3 meses por Elisângela Correia, Fernando José Campêlo, Lêda Maria Pacheco Nascimento, Mary Elizabeth Araújo e Teresa Barbosa Maciel. Eles afirmaram que o problema dos rios da Grande São Luís já começa na coleta de informações. “Muitas informações são contraditórias e as fontes de pesquisa são escassas. Quem pretende traçar um perfil da situação encontra logo esses problemas no início da empreitada”, lamentou Lêda Maria Pacheco Nascimento.

A hidrografia da cidade é formada pelos rios Anil, Bacanga, Tibiri, Paciência, Maracanã, Calhau, Pimenta, Coqueiro, Cachorros mais uma dezena de outros rios e riachos. O trabalho demonstra que atualmente os principais motivos de impacto negativo nos leitos são: compactação dos solos, desmatamento, erosão, poluição e pesca predatória, além da ocupação desordenada das áreas circunvizinhas das nascentes.

Radiografia do descaso – O rio Anil é um exemplo típico de como a ocupação desordenada pode ser danosa. De acordo com o levantamento dos formandos, a nascente do rio, antes localizada no Tirirical, mudou para as imediações da Cohab. “Depois que começaram a ocupar e desmatar as áreas nas imediações do aeroporto, os córregos e brejos que formavam a nascente do rio secaram”, disse Fernando José Campêlo, um dos autores do estudo.

Depois de alguns anos, o mesmo fenômeno aconteceu na nova nascente do rio. “O desmatamento e ocupação desordenada também se repetiram na Cohab. Com isso, a nascente que havia se transferido para lá quase foi que extinta. Isso contribuiu para o encurtamento do curso do rio. Hoje em dia a nascente se resume aos córregos localizados na Aurora”, explicou Elisângela Correia Cardoso.

Para Fernando Campelo, a ocupação das margens do rio não se limita apenas a grandes intervenções, como nos casos do bairro da Cohab e da área vizinha ao aeroporto Cunha Machado. “Ao longo do rio podemos perceber que as pessoas que moram nas palafitas vão, pouco a pouco, aterrando as margens do rio para construírem suas casas. Esta ocupação, além de estreitar a margem, também influi no acúmulo de lixo”.

O rio Bacanga tem seu leito quase inteiro paralelo à avenida dos Africanos. Segundo dados mostrados pelo estudo, o Bacanga recebe mais de mais 70% dos dejetos industriais da Grande São Luís. “Se no rio Anil o principal problema é a ocupação desenfreada do solo, no rio Bacanga é a poluição”, frisou Leda Maria Pacheco Nascimento.

Fotos: Gilson TeixeiraNas margens do rio Anil, a construção cada vez mais intensa de moradias é o maior problema

Nos 20 quilômetros do rio Paciência, o nível de poluição industrial ainda é pequeno

Detritos deixados pela ocupação perto do rio Anil
Os estudos realizados pelo grupo também demonstram que a poluição do rio Tibiri, apesar de ter incidência menor do que a do rio Bacanga, afetou o rio. “A barragem construída acabou por criar uma situação que garante certo tipo de sobrevida ao rio Bacanga, ao contrário do rio Tibiri, que está sendo literalmente exterminado pela poluição produzida pelas fábricas do Distrito Industrial”, frisou Elisângela Correia.

Para os idealizadores do trabalho, a falta de tratamento dos detritos das fábricas é um problema que demonstra a falta de políticas públicas para os rios da Grande São Luís. “As funções desempenhadas por um distrito industrial são óbvias. E tão óbvio quanto isso deveria ser a construção de mecanismos que diminuíssem os impactos ambientais dessas atividades. Como isso não existe ainda, toda a poluição é despejada no rio Tibiri”, disse Fernando Campêlo.

Rio Paciência – O estudo faz uma abordagem especial sobre o rio Paciência. Com nascente próxima ao campus da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), o rio se estende por mais de 20 km.

O rio Paciência, de acordo com dados do trabalho, é multifuncional. “Não faz muito tempo que o leito do rio Paciência era utilizado para abastecimento urbano de água, área de lazer e fonte de irrigação da hortifruticultura de nossa cidade. Em 1960, chegou-se até mesmo a cogitar a possibilidade de utilizar o rio Paciência para o abastecimento de toda a capital”, expôs Fernando Campêlo.

“O rio Paciência possui uma grande reserva de águas subterrâneas. Por ser um rio que nasce quase no centro da ilha, poderia ser usado das formas mais variadas possíveis. O nível de poluição industrial no rio ainda é pequeno, o que reforça a idéia de que ainda há tempo para salvar o rio e usá-lo da melhor forma possível”, disse Elisângela Correia.

Como forma de revitalizar os rios, o estudo aponta uma série de propostas que podem vir a ser concretizadas. “Nós sugerimos desde a criação de comitês nas áreas vizinhas dos rios até planos de ação em curto, médio e longo prazo”, explicou Fernando Campêlo.

Governo do Estado – O secretário estadual de Meio Ambiente, Othelino Neto, ao saber dos estudos, fez algumas observações à respeito. “As bacias e microbacias hidrográficas de características urbanas enfrentam de fato um processo de degradação que historicamente tomou proporções mais graves. Esse não é um fenômeno exclusivo de São Luís”, afirmou.

De acordo com o secretário, o governo do estado pretende colocar as estações de tratamento de esgoto do Jaracati e do Bacanga para operar plenamente e construir as outras que estão projetadas. “Acreditamos que essas intervenções podem e devem ser financiadas com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), somados à contrapartida do estado. Não tenho dúvida de que, a partir do momento em que conseguirmos tratar o esgoto de São Luís, a saúde dos nossos rios vai melhorar bastante”, disse o secretário.