POR MANOEL SANTOS NETO

Lucy Teixeira morre em São Luís aos 84 anos
A escritora Lucy Teixeira, de 84 anos, morreu em São Luís, na madrugada de ontem, no UDI Hospital, onde estava internada há 25 dias. Maranhense de Caxias, ela pertencia à Academia Maranhense de Letras (AML) e faleceu, segundo os médicos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. Adido cultural do Brasil durante mais de 30 anos, em diversos países da Europa, Lucy Teixeira foi sepultada, no final da tarde de ontem, no Cemitério do Gavião.

O presidente da Academia Maranhense de Letras, Joaquim Itapary, declarou que Lucy Teixeira, que completaria 85 anos na próxima quarta-feira (11), deixou uma obra inquestionável entre todas as mulheres que fizeram literatura no Maranhão até os dias de hoje. Solteira e sem filhos, Lucy Teixeira, na visão do escritor Jomar Moraes, foi uma das figuras mais expressivas da literatura maranhense, “dona de uma produção literária que primava pela qualidade, e não pela quantidade”.

O escritor Benedito Buzar observou que Lucy Teixeira é um dos grandes nomes da literatura feminina no Maranhão. Para Buzar, os trabalhos de Lucy, como contista, prosadora e poetisa, são comparados ao estilo de Clarice Lispector. Como publicações deixou dois livros de poesia, Elegia fundamental (1962), que são poemas ligados à morte, escrito após o falecimento de sua mãe, e Primeiro palimpsesto (1978). Para o teatro escreveu Quem beija o leão? e o livro de contos No tempo dos alamares & outros sortilégios (1999), prefaciado pelo crítico literário Antonio Candido.

O advogado Eli Medeiros lembrou que Lucy Teixeira costumava dizer que a esperança é um dever do coração. A italiana Giovanna Legnanne, que acompanhou a escritora maranhense até a fase final, ressaltou a figura de Lucy como a mulher de maior representatividade da literatura maranhense do século XX.

O poeta Nauro Machado ressaltou que o trabalho de Lucy, como romancista, contista e poetisa, está em um lugar destacado na história da literatura. O escritor Lino Moreira recordou que Lucy Teixeira, que era filha do desembargador Teixeira Júnior, tinha uma grande característica: gostava de incentivar os novos talentos, mas era muito rigorosa.

O sepultamento de Lucy Teixeira, no Gavião, teve a presença dos escritores Joaquim Itapary, Jomar Moraes, Benedito Buzar, Nauro Machado, Arlete Nogueira da Cruz, Carlos Gaspar, Lourival Serejo, Sebastião Duarte, Alex Brasil, do advogado José Carlos Sousa e Silva e do professor Mário Cella, além de um pequeno grupo de amigos e admiradores da escritora.