A Praça Pedro II, belíssimo postal da capital ludovicense, recentemente reurbanizada pela Prefeitura de São Luis, abrigará na noite de 5 de dezembro às 19h30m um dos maiores acontecimentos literários e culturais do ano. Nela, o poeta Luis Augusto Cassas fará a noite de autógrafos de seu novo livro “A Paixão Segundo Alcântara e Novos Poemas”, em meio a um grande sarau poético e musical com os artistas Victor Vieira, Sinhô, Cristina Fecury e Pedro Sobrinho.

O palco do acontecimento será a área externa do calçadão do prédio nº 241, onde funciona a Casa do Empreendedor SEBRAE. A entrada é aberta a todos que gostem de poesia e artes. A promoção é da Associação Comercial do Maranhão. O valor do exemplar é R$ 30,00.

Nesta entrevista, o poeta Luis Augusto Cassas discorre acerca do seu livro sobre Alcântara e revela as contradições entre a vetusta cidade histórica e a base de foguetes.

CASSAS LANÇA “A PAIXÃO SEGUNDO ALCÂNTARA E NOVOS POEMAS”, NA LUA CHEIA DA PRAÇA PEDRO II, 5 DE DEZEMBRO, DECLARA O SEU AMOR PELA CIDADE COLONIAL E AFIRMA QUE A BASE DE FOGUETES É UMA MODERNA TORRE DE BABEL

-“Meu livro é um canto de amor e liberdade à Alcântara, cidade por quem apaixonei-me há algumas décadas. Cidade bíblica composta em sua maioria por pescadores, pequenos comerciantes e funcionários públicos, centenas de comunidades quilombolas, artistas, artesões, desenvolvi-lhe profundo laços de ternura, solidariedade, defesa e compaixão. Principalmente, vendo a ação predatória do tempo e dos poderosos contra ela. Todo o povo carrega nas veias o sangue azul do sentimento de nobreza e da celebração.”

-“Mergulhando em sua atmosfera, pretendi capturar a vibração da alma da cidade para guardá-la na memória. Minha intenção foi inventariá-la liricamente, captando vozes, ecos, sentimentos, privações, paisagens, personagens, pássaros, sobrados – para protegê-la – como um museu de poemas – e salvá-la do necrológio de um futuro incerto e apocalíptico, em que foguetes espaciais pretendem reinar no trono onde pousa a pomba do Divino. Ao mesmo tempo, o livro é um cancioneiro para embalar-lhe e um alerta e denúncia. Temo, à revelia do passado, que seja ressuscitado o Pelourinho, reeditando o manual de escravatura, já que a população negra novamente sofre a intervenção do poder daqueles que, além de quererem domar o espaço aéreo, pretendem habitar o chão sagrado onde colhem a vida e dormem os ossos dos seus antepassados, violando-lhes os direitos previstos em nossa Constituição”

-“Creio que um trecho do “Magnificat”, o canto de gratidão da Virgem Maria à Deus, esclareceria espiritualmente o drama nuclear que vive Alcântara: “Dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias”.

-“Esse canto da Virgem revela a força de um arquétipo divino: o raio que fustiga a Torre de Babel e que obriga os homens a reaprenderem a lição da humildade, observando a verdadeira lei do crescimento. Essa lei vige na biografia dos homens ou coletivamente e está inscrita em seus atos.”

-“Alcântara vive hoje essa difícil travessia espiritual. Vive um impasse de grandes dimensões econômicas e sociais, criada por homens poderosos, à revelia de seu povo indefeso, cuja experiência científico-militar foi coroada de fracasso, redundando na explosão da barreira de lançamento em 2003. Não poderia observar-se na catástrofe a ação do raio divino detendo a Torre de Babel, em sua fome de céu, em desprezo das verdadeiras necessidades do povo da região? Mas a sede de conquista e poder – já se sabe – não irá deter o projeto. Sextuplicados, retornaram à cidade, com metas mais gigantescas, escudadas por suas legiões. Novas Torres virão.”

-“À falta de razão humana, resta à verdadeira fé, o cumprimento dos decretos divinos e a certeza de que o céu cumprirá sua revelação. Ao final, Alcântara ressurgirá de suas ruínas históricas e tecnológicas, e os humildes governarão a Terra.”

-“Escrever sobre Alcântara foi como penetrar no mistério das ruínas sagradas, da qual São Luis carrega idêntica sorte. E respirar internamente nas próprias ruínas, a sensação de que não somos somente pó mas essência do céu, necessitando – não a fragmentação – mas a unidade da restauração-” conclui o poeta.


Prédio Histórico n º 241, da Praça Pedro II, ontem residência do escritor Graça Aranha, hoje Casa do Empreendedor SEBRAE, que abrigará em sua área externa o lançamento do livro de Cassas sobre Alcântara.